Preparar a mochila em 2026 vai exigir mais do que organização: vai exigir malabarismo financeiro. A lista de material escolar chegou mais cara neste início de ano, e o susto já começa antes mesmo de entrar na papelaria.
Segundo projeção da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares, o custo do material escolar está, em média, 8,5% a 10% mais alto em relação ao ano passado. O problema é que esse reajuste acontece acima da inflação oficial, que deve fechar 2025 na faixa de 4,5% a 5%, medida pelo IPCA.
Os novos vilões da lista escolar
Se antes o peso maior estava nos livros e cadernos, agora o custo mudou de lugar. Em 2026, muitas escolas passaram a pedir menos livros físicos e mais licenças digitais, como aplicativos educacionais, plataformas online e até tablets. O resultado é um gasto que não permite reaproveitamento, aquele material do irmão mais velho já não resolve.
Os itens de papel continuam pressionando o orçamento. Cadernos, agendas e fichários registram alta entre 12% e 15%, puxados pela valorização internacional da celulose, custo que a indústria gráfica acabou repassando ao consumidor final, segundo dados do setor.
Já os produtos importados são um capítulo à parte. Mochilas, estojos e lancheiras com personagens tiveram reajustes que variam de 18% a 25%, impactados pela consolidação da taxação sobre compras internacionais,a chamada “taxa das blusinhas”, que deixou de ser exceção e passou a afetar todo o varejo, além da variação do dólar.
A tecnologia, por sua vez, até subiu menos. Tablets pedidos por algumas escolas tiveram reajuste médio de cerca de 5%, mas partem de um preço base elevado, o que faz o impacto no orçamento final ser significativo.
Pesquisar não é opcional, é obrigatório
Se o preço sobe, a diferença entre lojas vira ainda mais decisiva. Segundo levantamentos recorrentes de órgãos de defesa do consumidor, como os divulgados anualmente pelo Procon, um mesmo item, como uma caneta esferográfica de marca líder, pode apresentar variação de até 300% entre uma loja de shopping, uma papelaria de bairro e a internet.
Na prática, isso significa que comprar tudo no primeiro lugar pode fazer a conta dobrar. Comparar preços, dividir a lista por categorias e fugir da compra por impulso virou regra básica para não estourar o orçamento logo em janeiro.
Dicas práticas para economizar em 2026
Apesar do cenário mais pesado, algumas estratégias ajudam a aliviar a conta. Uma delas são as compras coletivas, organizadas por grupos de pais no WhatsApp, que compram caixas fechadas em atacado e conseguem preços melhores por unidade.
Outra tendência que cresce são as feiras de troca, principalmente para livros de literatura e uniformes em bom estado. Além de economizar, a prática reduz desperdício e virou alternativa comum em escolas e comunidades.
Na hora de escolher lápis, cadernos e outros itens básicos, optar por marcas próprias de supermercados e papelarias também faz diferença. Elas costumam ser mais baratas que produtos licenciados com personagens famosos, e cumprem a mesma função no dia a dia escolar.
No fim das contas, a volta às aulas em 2026 pede menos pressa e mais estratégia. Com pesquisa, troca de informações e escolhas mais conscientes, dá para montar a mochila sem transformar janeiro no mês mais caro do ano.


