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Medo brasileiro cresce após ação dos EUA na Venezuela, diz pesquisa Quaest

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O mundo ainda digere os desdobramentos da operação militar liderada pelos Estados Unidos na Venezuela no início de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro foi capturado pelas forças americanas, e uma nova pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 15 de janeiro, mostra que os efeitos reverberam fortemente no Brasil.

Segundo levantamento do instituto Genial/Quaest, 58% dos brasileiros dizem ter medo de que os Estados Unidos façam “algo parecido” em solo nacional, caso a política externa americana continue no mesmo caminho. O resultado revela um clima de apreensão que cruza diferentes campos ideológicos e coloca a política externa como combustível para a disputa interna de 2026.

Maioria teme intervenção, mas opiniões estão divididas

No geral, a pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de janeiro e indica que o medo de uma intervenção americana não é isolado:

  • 58% afirmaram temer uma ação parecida no Brasil;
  • 40% disseram que não têm esse medo;
  • 2% não souberam ou preferiram não responder.

Quando os dados são quebrados por autoidentificação política, a preocupação aparece em maior proporção entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 74% temendo uma intervenção similar, contra 57% entre apoiadores de Jair Bolsonaro e sua base política.

Essa diferença mostra que a sensação de vulnerabilidade é ampla, mas que o contexto ideológico reforça diferentes leituras sobre o papel dos EUA e da política externa no Brasil em 2026.

Aprovação da ação e críticas à postura do governo

A análise não se limita ao medo de uma eventual intervenção: o levantamento também avaliou como os brasileiros veem a operação militar que resultou na captura de Maduro em 3 de janeiro.

Enquanto 46% dos entrevistados disseram aprovar a ação dos EUA, 39% desaprovaram e 15% não souberam opinar.

Sobre a postura do governo brasileiro, que condenou a ação americana como “afronta à soberania”, 51% consideraram que o presidente Lula agiu errado ao criticar os Estados Unidos, contra 37% que acharam a reação adequada.

Outro ponto perguntado foi como o Brasil deveria se posicionar diante da crise: 66% defendem que o país adote uma postura de neutralidade.


Gráfico gerado por Gemini

Polarização que ultrapassa fronteiras

O levantamento mostra que a política externa não está isolada em um gueto técnico: ela entra de cabeça no debate doméstico, ressoando com medos, identidades e leituras distintas sobre soberania, poder externo e alinhamentos estratégicos.

O cenário atual, com uma intervenção americana na vizinhança e debates acalorados sobre legitimidade, legalidade e geopolítica, fez com que mais da metade da população associasse ações no exterior à própria segurança interna.

Essa sensação, misturada à avaliação da atuação do governo e a visões ideológicas divergentes, mostra um Brasil dividido não apenas sobre política interna, mas sobre como o país deve se posicionar no mundo em 2026.

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