Investigações apontam que ativos ambientais foram inflados para ocultar rombo de US$ 2,4 bilhões e beneficiar fundos da instituição.
Novos desdobramentos sobre a liquidação do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025, revelam um esquema complexo envolvendo créditos de carbono na Amazônia. Segundo investigações conduzidas pelas autoridades e reportagens da Folha de S.Paulo e do UOL, familiares de Daniel Vorcaro, ex-CEO da instituição, estariam diretamente ligados a um projeto bilionário suspeito de irregularidades.
O foco das apurações recai sobre a Alliance, empresa de propriedade do pai e da irmã de Vorcaro. A companhia é acusada de manipular dados ambientais para inflar artificialmente o valor de ativos que compunham a base de fundos geridos pelo banco e pela Reag Asset.
O esquema dos créditos de carbono “inflados”
A fraude, estimada em US$ 2,4 bilhões, utilizava o crescente mercado de créditos de carbono como fachada. O plano consistia em explorar áreas da floresta amazônica, gerando títulos ambientais que eram posteriormente alavancados por fundos de investimento.
De acordo com os investigadores, o esquema operava da seguinte forma:
- Superestimação: A Alliance teria inflado os dados sobre o potencial de captura de carbono das áreas preservadas.
- Ocultação de Rombo: Os ativos valorizados artificialmente serviam para “fechar as contas” do banco, escondendo perdas financeiras reais.
- Atração de Investidores: Com números atraentes e o selo de sustentabilidade (ESG), novos investidores eram captados para fundos que, na prática, possuíam lastro duvidoso.
A liquidação e o papel da Reag Asset
A liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi um dos maiores eventos financeiros de 2025. As autoridades apuram agora o grau de conivência ou participação da Reag Asset na estratégia de alavancagem desses fundos. A suspeita é de que a estrutura dos fundos de investimento tenha sido desenhada especificamente para dar aparência de legalidade à circulação dos ativos inflados.
Daniel Vorcaro, que deixou o comando da instituição antes da intervenção, nega veementemente qualquer irregularidade e afirma que todas as operações seguiram as normas de mercado vigentes à época.
Impacto no mercado de crédito de carbono
O caso gera um impacto negativo imediato na credibilidade dos projetos ambientais no Brasil. Especialistas do setor apontam que:
- Rigor na Fiscalização: O episódio deve acelerar a regulamentação do mercado de carbono no Congresso, exigindo auditorias externas mais rigorosas.
- Risco Reputacional: Fundos de investimento focados em ESG (Ambiental, Social e Governança) enfrentam agora uma onda de desconfiança por parte de investidores estrangeiros.
- Monitoramento Satelital: Órgãos ambientais sugerem que o cruzamento de dados de satélite seja obrigatório para validar qualquer crédito de carbono gerado na Amazônia.


