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Banco Central decreta liquidação do Will Bank e FGC deve acionar garantias para milhões de clientes

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Imagem: Reprodução – Jornal de Brasília

O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Bank (formalmente Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento), instituição controlada pelo extinto Banco Master. A medida amplia a crise desencadeada pela liquidação do Master em novembro de 2025 e afeta diretamente milhões de clientes e investidores da fintech.

Crise do conglomerado Master

O Will Bank foi adquirido pelo Banco Master em 2024 como estratégia de expansão digital, chegando a somar mais de 12 milhões de clientes, segundo dados públicos antes da crise.

Após a decretação da liquidação do Banco Master em novembro, o Will Bank foi colocado sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) — uma intervenção regulatória em que o BC assume o controle para tentar preservar operações enquanto busca uma solução de mercado.

No entanto, a situação financeira se deteriorou e, em 19 de janeiro de 2026, a instituição deixou de cumprir obrigações junto ao arranjo de pagamentos da Mastercard, levando à suspensão dos cartões emitidos e à constatação de insolvência. O Banco Central considerou que não havia mais condições de continuidade viável e optou pela liquidação extrajudicial.

O que a liquidação significa para clientes

Com a liquidação, o Will Bank encerra suas operações imediatamente e um liquidante (nomeado pelo Banco Central) passa a administrar os ativos e passivos da instituição para levantar os valores devidos aos credores.

Para a grande maioria dos clientes e investidores, uma das principais questões é o destino de contas, saldos, cartões e investimentos:

Cartões de crédito já foram bloqueados ou suspensos pela rede parceira, e não podem mais ser usados normalmente.

Contas-correntes e saldos em conta digital serão objeto de apuração pelo liquidante, que levantará os valores totais a serem distribuídos.

Dívidas existentes (como parcelas e faturas de cartão) continuam devidas e devem ser pagas conforme contrato, sob pena de registrar inadimplência nos órgãos de crédito.

FGC acionado e garantia de até R$ 250 mil

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já anunciou que acionará as garantias para depositantes e investidores com aplicações protegidas — como conta corrente, poupança, CDBs, LCIs, LCAs, RDBs e letras de câmbio, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.

Segundo estimativas atuais, o valor dessas garantias a ser pago está em torno de R$ 6,3 bilhões, embora o número final e a lista de clientes elegíveis dependam dos dados consolidados pelo liquidante nos próximos dias.

Clientes com saldos dentro desse limite geralmente são ressarcidos em até alguns meses, mas o processo pode levar tempo dependendo da lista de credores e da agilidade da apuração.

E quem tem mais de R$ 250 mil?

Assim como no caso do Banco Master, valores acima de R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição não estão automaticamente cobertos pelo FGC, e esses clientes passam a ser credores da massa liquidanda. Isso significa que poderão receber parte dos valores de acordo com o que for apurado e distribuído ao longo da liquidação, mas sem garantia de ressarcimento total ou prazo determinado.

O elo com o Banco Master e o mercado

O Will Bank era parte do grupo financeiro liderado por Daniel Vorcaro, cuja operação enfrentou questionamentos desde 2025, culminando na liquidação do Master e de outras empresas do mesmo conglomerado. A decisão de liquidar a Will também foi explicitamente associada ao vínculo de controle com o Banco Master e à deterioração financeira que se seguiu, com tentativas de solução de mercado que não se concretizaram.

Impacto maior e consequências práticas

A liquidação do Will Bank faz parte de uma sequência de eventos que colocou pressão sobre o sistema financeiro e o FGC, que agora responde a dois grandes eventos de liquidação em curto intervalo (Master e Will) e a pagamentos bilionários de garantias aos investidores.

Para milhões de clientes, a recomendação dos especialistas é:

  • acompanhar comunicados oficiais do FGC;
  • verificar saldos e extratos pela plataforma regulada;
  • manter atenção às comunicações do liquidante;
  • continuar honrando dívidas para evitar prejuízo de crédito.

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