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O Grupo Fictor, que ganhou destaque no mercado em novembro de 2025 ao anunciar um acordo para comprar o Banco Master, protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo neste domingo (1º), alegando dificuldades de liquidez e um passivo financeiro de cerca de R$ 4 bilhões, segundo comunicado distribuído aos credores e ao Judiciário.
O pedido de recuperação judicial e os números envolvidos
A medida abrange principalmente a Fictor Holding Financeira e a Fictor Invest, com o objetivo de reorganizar as finanças, renegociar dívidas e obter tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por até 180 dias, prazo em que pretende apresentar um plano de recuperação aos credores.
Segundo o grupo, a intenção é quitar os débitos sem deságio, ou seja, sem oferecer desconto no valor devido, um raríssimo posicionamento em pedidos de recuperação judicial. As demais subsidiárias do conglomerado não foram incluídas no pedido e seguem operando normalmente, conforme a documentação apresentada.
O que a Fictor alega ser causa da crise
Em nota oficial e nos autos do processo, a empresa atribuiu a crise financeira à liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025, um dia após o anúncio de que um consórcio liderado por ela, com aporte de cerca de R$ 3 bilhões, compraria o banco.
A repercussão midiática negativa, segundo a Fictor, teria gerado uma perda de confiança no mercado e uma “corrida por saques”, com sócios participantes pedindo a retirada de cerca de 71 % dos aportes recebidos entre o anúncio da aquisição e o fim de janeiro, pressionando o caixa da companhia e acelerando a necessidade de reestruturação financeira.
Histórico recente: tentativa de compra do Banco Master
O episódio que desencadeou a crise tem origem em 17 de novembro de 2025, quando o Grupo Fictor anunciou que lideraria a aquisição do Banco Master por um valor bilionário com apoio de sócios estrangeiros. No dia seguinte, porém, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira, frustrando a transação e intensificando a turbulência no mercado.
Na sequência, o presidente do banco, Daniel Vorcaro, foi alvo de investigação e chegou a ser preso em operação da Polícia Federal, fazendo com que o caso ganhasse ainda mais repercussão e complexidade institucional.
Impacto no mercado e nos investidores
A notícia do pedido de recuperação judicial teve impacto direto nas ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária do grupo listada na B3, que despencaram mais de 30% no pregão seguinte, refletindo a preocupação do mercado com a saúde financeira da companhia e com a confiança dos investidores.
Enquanto isso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia direcionado questionamentos ao grupo sobre práticas de oferta de contratos com promessas de retorno acima da média do mercado e atrasos no pagamento a investidores, o que intensificou o escrutínio regulatório sobre as operações do conglomerado.
O papel do plano de recuperação
No pedido formal, a Fictor requer que o Judiciário suspenda cobranças e execuções por até 180 dias para que os credores possam negociar coletivamente com a holding, uma estratégia usada para evitar corridas individuais de cobrança que poderiam agravar ainda mais a liquidez da empresa.
A empresa afirma que já vinha adotando medidas de reestruturação, como redução de estrutura física e do quadro de colaboradores, antes mesmo de pedir recuperação judicial, com foco na preservação de direitos trabalhistas e na continuidade das operações consideradas economicamente viáveis.
Saiba quem é o Grupo Fictor
Fundado em 2007, o Grupo Fictor é um conglomerado com atuação em setores como infraestrutura, alimentos, energia, serviços financeiros e tecnologia, além de ser conhecido por sua participação em investimentos como FictorPay e pela atuação em mercados domésticos e internacionais.
O grupo também se tornou conhecido fora do mercado financeiro ao patrocinar o time de futebol Palmeiras, aumentando sua visibilidade junto ao público.
Perspectivas e próximos passos
Com o pedido de recuperação judicial em análise pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, o foco agora está em como credores e a Justiça vão reagir à proposta de plano de reorganização da Fictor, e se a expectativa de pagamento sem deságio será aceita dentro de um ambiente jurídico tradicionalmente cauteloso com grandes devedores.
Enquanto isso, o caso segue como mais um capítulo da crise desencadeada no mercado financeiro pela liquidação do Banco Master, cujo desfecho ainda pode impactar outros setores e empresas que mantiveram vínculos com o grupo nos últimos anos.


