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Uma das principais fraudes da história recente do Brasil, o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro, mostraram para a população civil que, mais do que um esquema que criou um rombo bilionário, o envolvimento de diversos agentes da classe política prejudica sua imagem frente à população.
No artigo de hoje, vamos fazer um apanhado dos principais acontecimentos que fizeram da fraude do Banco Master um dos episódios mais emblemáticos da história recente brasileira.
Como tudo começou: De Máxima a Master
Daniel Vorcaro assumiu o Banco Máxima em 2019, sendo um nome presente no setor financeiro.
Dois anos depois, em 2021, rebatizou o Máxima para Banco Master e a instituição começou a crescer de forma desenfreada e muito acima dos pares do mercado. Isso deu ao então presidente do banco uma vida de luxos imensuráveis e trouxe muita atenção para ele, que, a partir deste momento, começou a se sentar na mesa política, ampliando sua rede de influência em Brasília sob a imagem de um “inovador do setor financeiro”.
Diversas pontas amarradas na mesma fraude
À frente do banco Master, Daniel começou a organizar o esquema de fraude atuando em diversas pontas. De um lado ele operava CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com margens de retorno muito acima do mercado, cerca de 140% do CDI e, portanto, impraticáveis.
Em outra frente, ele atuava com a gestora Reag, que dispunha de diversos fundos de investimento na carteira, inclusive um ligado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli.
Atrelado a estes fundos, o Banco Master concedia empréstimos fantasma para empresas que direcionavam valores para estes fundos de investimento e faziam o dinheiro circular de tal maneira que os ativos dos fundos eram de difícil venda, retornando assim para o Banco Master que, por sua vez, “reconectava” essa frente o primeiro esquema, da operação dos CDBs.
Basicamente, Vorcaro vendia um CDB com retorno impossível a partir dos valores fictícios recebidos dos pagamentos dos empréstimos que ele mesmo concedeu através da Reag e que ninguém liquidou nos fundos de investimento, criando uma rede onde não havia dinheiro real.
Para você ter uma noção do quão grave é este esquema de venda destes CDBs fraudulentos, diversos estados e municípios investiam dinheiro no Banco Master como forma de aumentar o montante arrecadado para a previdência e repassar aos aposentados. O Rio de Janeiro, por exemplo, foi um estado que investiu mais de R$ 1 bilhão e agora, está dependendo dos desdobramentos do caso para rever este montante.
Este esquema estava de pé desde 2021; a liquidez forçada pelo Banco Central só chegou em novembro de 2025; foram praticamente quatro anos operando este esquema fraudulento.
Das investigações à Liquidação
A Polícia Federal (PF) já investigava a gestora Reag por meio da operação Carbono Oculto, que desarticulou R$ 52 bilhões do crime organizado, especialmente o PCC, e identificou diversos negócios, como postos de gasolina, uma fintech e mais de 40 fundos de investimento, em um esquema que lavava dinheiro do crime organizado.
A partir destas investigações, a Reag começou a ser observada de perto e, mais tarde, também seria liquidada pelo Banco Central.
Enquanto isso, o próprio Banco Central conduziu sua investigação contra os CDBs do Banco Master por conta do retorno fora do normal e da liquidez destes ativos. Essa investigação terminou com a ordem de liquidez do Banco Master e de todos os seus ativos.
Um ator, muitos envolvidos
Após a investigação levar ao esquema fraudulento operado por Daniel Vorcaro e o Banco Master, a Polícia Federal começou a investigar diversos possíveis envolvidos, como por exemplo o Banco de Brasília, instituição financeira a qual Vorcaro tentou vender o Master e que, segundo a PF, sabia que os ativos do banco eram fraudulentos e sem liquidez real.
Outros agentes investigados são os gestores dos fundos de estados e municípios que, ao que tudo indica, também sabiam dos problemas do Banco Master.
E isso abriu precedente para investigar o envolvimento da classe política com Daniel Vorcaro.
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes
As investigações da PF contra o Banco Master levaram a uma possível ligação entre Daniel Vorcaro e a mulher do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Segundo a PF, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro teria prestado serviços jurídicos ao Banco Master de 2024 a 2025 a um valor de R$ 3,6 milhões mensais.
Além disso, a jornalista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, apurou que houve trocas de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes; o conteúdo das mensagens de Daniel já está sendo considerado na investigação, porém as do ministro não podem ser visualizadas por estarem com o recurso de “visualização única” ativado.
Todo este episódio tem levantado muitas dúvidas sobre o trabalho do ministro com uma ala da oposição do atual governo tentando um impeachment de Alexandre de Moraes.


