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Anúncio de Trump sobre sanções ao Irã acende alerta no agronegócio brasileiro

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Foto: Reprodução Gemini

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12) que pretende impor uma tarifa de 25% a qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã. A declaração foi feita por meio da rede social Truth Social e reacendeu a política de sanções duras adotada por Trump em seu primeiro mandato.

O anúncio ocorre em meio a protestos contra o regime dos aiatolás, duramente reprimidos, e já provoca reações no cenário internacional. Para o Brasil, a medida representa um risco direto ao agronegócio, já que o país é um dos principais fornecedores de alimentos ao mercado iraniano.

Por que o Brasil entra na linha de fogo

Segundo dados do comércio exterior, o Brasil encerrou 2025 com superávit de cerca de US$ 2,8 bilhões na balança comercial com o Irã. A relação é fortemente concentrada no agronegócio, setor do qual o país persa é altamente dependente.

O milho é o principal item exportado, respondendo por cerca de 68% das vendas, algo próximo de US$ 2 bilhões. A soja aparece na sequência, com 19% do total (aproximadamente US$ 560 milhões). Açúcar e carnes bovina e de frango também integram a pauta.

Em sentido oposto, o Brasil importa pouco do Irã (cerca de US$ 84 milhões), mas trata-se de um insumo estratégico: fertilizantes (ureia), fundamentais para a produtividade da própria lavoura brasileira.

Como funcionaria o “tarifaço” na prática

A proposta de Trump envolve sanções secundárias. Isso significa que, mesmo sem negociar diretamente com os EUA, países que mantiverem comércio com o Irã podem ser punidos ao acessar o mercado americano.

Na prática, isso pode ocorrer de duas formas:

  1. Taxação de produtos brasileiros exportados aos EUA, como suco de laranja, aço ou calçados;
  2. Encargos sobre transações financeiras em dólar ligadas ao comércio com o Irã, o que encareceria produtos como o milho brasileiro e poderia empurrar o Irã a comprar de Rússia ou China.

A China, inclusive, reagiu ao anúncio afirmando que tomará medidas para “salvaguardar seus interesses”, sinalizando que a decisão pode ampliar tensões comerciais globais.

Pressão máxima: estratégia conhecida, cenário diferente

Não é a primeira vez que Trump adota esse tipo de postura. Entre 2018 e 2020, durante a política de “pressão máxima”, os EUA abandonaram o acordo nuclear e passaram a penalizar parceiros do Irã. Naquele período, o Brasil conseguiu amenizar os impactos por conta do alinhamento político entre os governos.

Em 2026, o contexto mudou. A relação entre Trump e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva é mais distante, o que reduz a margem para exceções informais e aumenta a cautela do governo brasileiro.

Brasil aguarda o decreto para avaliar impactos

Apesar do anúncio, o governo brasileiro ainda aguarda a publicação oficial do decreto, com seus detalhes técnicos, o chamado fine print. A expectativa é entender se alimentos e produtos agrícolas terão algum tipo de isenção humanitária, algo comum em regimes de sanções internacionais, mas incerto sob a gestão Trump.

Enquanto isso, o agronegócio acompanha com atenção. Romper com o Irã significaria abrir mão de um mercado de quase US$ 3 bilhões. Confrontar os EUA, segundo maior parceiro comercial do Brasil, também não é uma opção simples. O desfecho dependerá do texto final do decreto e das negociações diplomáticas nas próximas semanas.

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