Foto: Portal Investidor 10
Com o início dos pagamentos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) nesta segunda-feira (19), muitos clientes do Banco Master começaram a receber os valores protegidos pelo fundo. Mas uma dúvida segue no topo das buscas: o que acontece com quem tinha mais de R$ 250 mil aplicados na instituição?
A resposta não é simples, e envolve prazos longos, riscos e decisões que ainda dependem da Justiça.
O limite do FGC: onde termina a garantia
O FGC funciona como um seguro bancário e garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Quem tinha valores dentro desse limite entra automaticamente na fila de reembolso, que já começou a ser paga.
Já quem ultrapassou esse valor não perde tudo, mas entra em um cenário bem diferente.
Valores acima de R$ 250 mil entram no processo de liquidação
O dinheiro que excede o limite do FGC não é ressarcido automaticamente. Esses clientes passam a ser considerados credores da massa liquidanda do banco.
Na prática, isso significa que:
- O valor excedente entra no processo de liquidação extrajudicial;
- O cliente só poderá recuperar parte (ou todo) esse dinheiro se houver recursos suficientes após a venda de ativos do banco;
- Não há prazo definido para esse pagamento, o processo pode levar anos.
Quem recebe primeiro na fila
A lei define uma ordem de prioridade na liquidação. Em geral:
- Créditos trabalhistas
- Encargos fiscais
- Depositantes cobertos pelo FGC
- Demais credores, incluindo investidores com valores acima do teto
Ou seja: quem ultrapassou os R$ 250 mil está mais para o fim da fila.
E os fundos de investimento ligados ao Master?
Outro ponto de atenção envolve fundos administrados por gestoras ligadas ao banco, como a Reag.
Esses produtos não têm cobertura do FGC. Nesses casos:
- O dinheiro não é reembolsado pelo fundo garantidor;
- O cotista pode optar por migrar para outra gestora;
- Eventuais perdas dependerão da avaliação dos ativos e das investigações em curso.
Resumo prático para o investidor
- Até R$ 250 mil: protegido pelo FGC e com pagamento em andamento
- Acima de R$ 250 mil: vira crédito judicial, sem prazo garantido
- Fundos de investimento: sem cobertura do FGC
O caso do Banco Master expõe, mais uma vez, a importância de diversificar aplicações e entender exatamente quais produtos têm (ou não) proteção antes de buscar retornos mais altos.
O texto reúne informações divulgadas pela Agência Brasil e pela CNN, além de regras oficiais do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


