País registra o maior número de assassinatos de mulheres por questões de gênero da história; dados revelam urgência em políticas de proteção.
O Brasil encerrou o ano de 2025 com uma estatística alarmante: o país atingiu o recorde histórico de feminicídios, consolidando o maior índice desde que a lei específica para esse crime foi sancionada, em 2015. Segundo dados consolidados dos órgãos de segurança pública, a média foi de 4 mulheres assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero.
O levantamento, que serve de base para o monitoramento da violência no país, aponta que o número total de casos superou todos os registros anteriores, expondo gargalos na rede de proteção e no cumprimento de medidas protetivas.
Radiografia dos dados em 2025
Os números revelam uma face cruel da violência doméstica e familiar no território brasileiro. De acordo com o balanço anual, os principais indicadores mostram:
- Média diária: Aproximadamente 4 feminicídios a cada 24 horas.
- Perfil das vítimas: A maioria das mulheres assassinadas é negra, possui baixa escolaridade e está na faixa etária entre 18 e 44 anos.
- Cenário do crime: Mais de 70% dos casos ocorreram dentro da residência da vítima.
- Autoria: Em cerca de 90% das ocorrências, o autor do crime é o parceiro ou ex-parceiro íntimo.
Comparativo e evolução da violência
Ao contrário de outros índices de criminalidade, como os homicídios dolosos gerais que apresentaram oscilações em diferentes estados, o feminicídio manteve uma trajetória de crescimento. Especialistas em segurança pública destacam que o aumento dos números pode estar atrelado a dois fatores principais:
- Aumento da Notificação: Uma melhor qualificação policial no momento do registro, identificando corretamente o crime como feminicídio e não apenas como homicídio comum.
- Agravamento Real da Violência: O aumento da intolerância e do controle sobre a vida das mulheres, muitas vezes culminando em ataques fatais após tentativas de término de relacionamento.
Medidas Protetivas e o desafio da prevenção
O recorde de 2025 levanta críticas sobre a eficácia das Medidas Protetivas de Urgência. Em uma parcela significativa dos casos registrados, as vítimas já possuíam boletins de ocorrência anteriores ou decisões judiciais de afastamento contra seus agressores que não foram suficientes para impedir o crime.
O Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça têm anunciado o reforço de programas como o “Mulher Viver sem Violência” e a expansão das Casas da Mulher Brasileira, mas a capilaridade dessas ações ainda é insuficiente para cobrir todas as regiões do país, especialmente cidades do interior.


