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Brasil vê 5º paciente recuperar movimento com polilaminina, tratamento inovador para lesões medulares

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Foto: Ana Branco | O Globo

A ciência brasileira voltou a surpreender na área de lesões na medula espinhal. Subiu para cinco o número de pessoas que retomaram movimentos após receber injeção de polilaminina, um medicamento experimental desenvolvido no país que está em fase inicial de testes clínicos, um feito que reacende a esperança de avanços reais no tratamento de paraplegia e tetraplegia.

O caso mais recente envolve um jovem de 24 anos do Espírito Santo, que ficou tetraplégico depois de sofrer uma lesão medular total na vértebra C4 ao cair em uma cachoeira. Após receber a aplicação da polilaminina, ele mostrou sinais de recuperação que nem mesmo os médicos esperavam, de acordo com a equipe responsável pelo estudo.

O que é polilaminina e como ela atua

A polilaminina é uma forma estabilizada de uma proteína natural que foi aprimorada em laboratório por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) liderados pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio. A substância é baseada na laminina, um componente presente no corpo humano que atua como uma espécie de “malha” que facilita a conexão entre neurônios.

Em lesões medulares graves, essa comunicação entre o cérebro e os músculos é interrompida. A polilaminina é projetada para criar uma ponte que permite a regeneração dos axônios, ajudando a restabelecer parte dessa comunicação perdida com a lesão.

Esse mecanismo inovador é especialmente importante porque, até hoje, tratamentos eficazes para lesões completas da medula praticamente não existiam e casos de recuperação motora significativa eram raríssimos.

Fase clínica e decisões da Justiça

O estudo clínico com polilaminina está em fase 1, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de janeiro, e prevê a aplicação do medicamento em cinco pacientes voluntários para avaliar a segurança da substância em humanos.

Os pacientes que já receberam a injeção, inclusive este quinto caso do ES, o fizeram por determinação judicial, antes mesmo da conclusão dos critérios formais da fase clínica. Isso ocorre porque, em situações de lesão medular aguda e sem outras opções terapêuticas eficazes, algumas famílias recorrem à Justiça para ter acesso antecipado ao tratamento experimental.

Resultados e perspectivas

Até agora, os cinco casos que receberam a polilaminina mostraram algum nível de retomada de movimento ou sensibilidade, um resultado que pesquisadores consideram promissor, embora ainda seja cedo para concluir eficácia definitiva. A expectativa é que, conforme a fase 1 avance e se confirme a segurança da aplicação, o estudo evolua para fases posteriores, que vão testar, em grupos maiores, se o tratamento realmente funciona com consistência.

Especialistas também destacam que os resultados observados até aqui podem ser fruto de uma combinação entre cuidados médicos intensivos logo após a lesão e os efeitos biológicos potenciais da substância, mas a reação positiva nos casos até agora é suficiente para manter a esperança e o foco na continuidade do estudo.

Um marco para a ciência brasileira

A polilaminina representa um dos avanços mais relevantes da pesquisa neurológica no Brasil nos últimos anos, reunindo décadas de trabalho em biologia molecular e neurociência com aplicação direta, ainda que experimental, em pacientes com lesões medulares completas, condições antes consideradas praticamente irreversíveis.

Enquanto a comunidade científica mantém cautela e rigor técnico, milhares de pacientes e familiares veem na polilaminina uma nova perspectiva de recuperação funcional, algo que até pouco tempo pertencia apenas ao campo da ficção científica.

Entenda as fases dos testes clínicos

Antes que um novo medicamento chegue às farmácias, ele precisa passar por várias etapas de testes para comprovar segurança e eficácia. Veja o que cada fase significa:

Fase 1 – Segurança

É a etapa inicial dos testes em humanos.

O objetivo principal não é provar que funciona, mas sim verificar se o medicamento é seguro, qual a dose adequada e quais efeitos colaterais podem surgir.

Geralmente envolve poucos voluntários (dezenas). A polilaminina está atualmente nessa fase.

Fase 2 – Eficácia inicial

Aqui, os pesquisadores começam a avaliar se o tratamento realmente traz benefícios clínicos, além de continuar monitorando a segurança.

O número de participantes aumenta e os resultados começam a ser comparados entre grupos.

Fase 3 – Confirmação em larga escala

É a fase decisiva antes da liberação comercial.

O medicamento é testado em centenas ou milhares de pessoas, comparado a tratamentos já existentes ou ao placebo.

Se os resultados forem positivos, os dados são enviados para análise das agências reguladoras.

Após a aprovação (Fase 4)

Mesmo depois de liberado para uso, o medicamento continua sendo monitorado.

Essa etapa serve para identificar efeitos raros e acompanhar o desempenho no uso cotidiano.

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