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A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Praia Brava (Florianópolis), ganhou novos desdobramentos nesta segunda-feira (8/02). A mãe de um dos adolescentes investigados negou ter tentado esconder provas, enquanto a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a apreensão do passaporte do jovem apontado como principal suspeito para evitar fuga do país.
Mãe de suspeito se manifesta e nega tentativa de ocultar provas
Em entrevista ao programa Domingo Espetacular (Record), exibida no último domingo (8), a mãe do adolescente investigado afirmou que não houve tentativa de ocultar nenhum objeto relacionado ao caso. Segundo ela, o jovem usava um boné e carregava um moletom no momento em que foi abordado pela polícia ao retornar ao Brasil, mas entregou o boné voluntariamente e negou que a família tivesse escondido provas ou tentado fugir da investigação.
A versão dada pela mãe contradiz a interpretação dos investigadores, que afirmaram à época que um dos objetos, um moletom usado no dia do crime, teria sido guardado pela família e poderia ser peça-chave para a ligação do adolescente à cena das agressões.
O episódio original que motivou essa suspeita aconteceu quando o jovem foi abordado pela Polícia Civil ao desembarcar no aeroporto após uma viagem aos Estados Unidos, cerca de 25 dias depois do crime que resultou na morte de Orelha.
Polícia pede apreensão do passaporte para evitar fuga
Paralelamente, a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a apreensão do passaporte do adolescente apontado como principal suspeito pela morte do cão Orelha, de maneira a impedir que ele deixe o país durante o andamento da investigação e possíveis atos judiciais posteriores.
De acordo com as autoridades, a medida cautelar é permitida legalmente tanto para adultos quanto para adolescentes, com o objetivo de garantir o comparecimento em todos os atos da apuração e eventuais fases processuais.
O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que acompanha a investigação e destacou a necessidade de assegurar a presença do investigado no Brasil durante as diligências.
O caso e a investigação em curso
O caso do cão Orelha remonta ao dia 4 de janeiro de 2026, quando o animal, uma figura conhecida e querida na comunidade local, foi encontrado com ferimentos graves na cabeça, atribuídos a uma pancada por objeto contundente, e acabou sendo submetido à eutanásia no dia seguinte devido à gravidade dos traumas.
A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, com apoio do Ministério Público, analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança e ouviu dezenas de testemunhas, o que levou à identificação de um dos adolescentes como suspeito principal nas agressões.
Outros três adolescentes envolvidos foram inicialmente investigados, mas posteriormente descartados por não terem sido identificados nas imagens no momento do ataque.
Possíveis desdobramentos legais
Em nota junto às reportagens sobre o pedido de apreensão do passaporte, autoridades destacaram que o inquérito ainda está em fase de conclusão e pode resultar em medidas cautelares adicionais, incluindo pedidos de internação provisória em razão da gravidade do ato infracional atribuído ao principal suspeito.
Especialistas em legislação de infância e juventude apontam que medidas cautelares para adolescentes são previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e podem incluir restrições de viagem, apreensão de documentos, apresentação periódica à Justiça e até internação em unidades socioeducativas, dependendo da gravidade do ato e do risco de fuga.
A investigação continua em andamento e, apesar de haver imagens que ligam o suspeito ao entorno do local onde Orelha foi encontrado, ainda não há gravações diretas do momento do ataque, fator que tem sido usado tanto pela polícia quanto pela defesa em debates públicos e jurídicos.


