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Clientes do Master e do Will acusam BRB de registrar dívidas quitadas ou inexistentes no Banco Central

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Foto: Reprodução | CNN

Clientes que tinham produtos financeiros com o Banco Master e o Will Bank afirmam que estão vendo dívidas ativas ou em atraso inscritas no Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central mesmo tendo quitado os débitos ou sem jamais terem contratado empréstimos ou serviços financeiros com a instituição. Segundo os afetados, os registros teriam sido feitos após o Banco de Brasília (BRB) incorporar carteiras de crédito ligadas ao Master, agora sob investigação por irregularidades no mercado financeiro.

Que tipo de inconsistências clientes têm identificado

Segundo relatos publicados em portais de notícias, ao consultarem o Registrato, ferramenta gratuita do Banco Central em que cidadãos podem verificar suas informações financeiras, clientes encontraram:

  • Empréstimos marcados como ativos ou em atraso mesmo após quitação no Will Bank ou no Banco Master;
  • Débitos que nunca existiram, segundo os próprios consumidores;
  • Inscrições que constam em nome de pessoas que alegam nunca terem firmado contratos ou aberto contas com BRB ou Master.

Esses apontamentos geram preocupações porque o SCR é uma base oficial usada por bancos e instituições financeiras para avaliar o risco de crédito e pode impactar diretamente a vida financeira dos consumidores, inclusive sua capacidade de conseguir financiamentos ou cartões de crédito.

A ligação do BRB com as carteiras de crédito

O Banco de Brasília passou a registrar essas carteiras porque, desde 2024, adquiria carteiras de crédito do Banco Master, que já vinha enfrentando problemas de liquidez e grave crise operacional. O BRB chegou inclusive a anunciar, em 2025, um acordo para comprar o banco por cerca de R$ 2 bilhões, mas essa aquisição foi posteriormente vetada pelo Banco Central, que considerou a operação arriscada ao sistema financeiro.

Após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, a Polícia Federal passou a investigar um esquema de fraudes bilionárias envolvendo o banco, incluindo transações com carteiras de crédito de baixa qualidade que teriam sido vendidas ao BRB, ações que agora podem estar por trás das inconsistências relatadas pelos clientes.

O que o BRB diz sobre os registros contestados

Em nota enviada à imprensa, o BRB afirmou que, após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito, o que, segundo a instituição, pode ter contribuído para inconsistências nos registros no sistema do Banco Central.

O banco também ressaltou que está atento às reclamações e que investiga internamente as divergências, reforçando que trabalha para regularizar a situação dos clientes afetados assim que os dados forem devidamente agrupados e confirmados pela instituição liquidante.

Contexto mais amplo da crise Master–Will–BRB

O caso do Banco Master tornou-se um dos maiores escândalos do sistema financeiro brasileiro, com a liquidação do banco pelo Banco Central em novembro de 2025, investigações da Polícia Federal e estimativas de que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) terá de desembolsar cerca de R$ 41 bilhões aos credores, o maior valor já esperado na história do fundo.

Além disso, depoimentos de diretores do próprio Banco Central sugeriram que créditos vendidos ao BRB pelo Master poderiam ser “inexistentes” ou sem lastro adequado, reforçando ainda mais a complexidade das transações e a necessidade de apuração detalhada das responsabilidades das instituições envolvidas.

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