O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que irá vetar integralmente o Projeto de
Lei da Dosimetria assim que o texto chegar à sua mesa. A declaração foi feita ao comentar
a tramitação da proposta no Congresso Nacional e a suposta existência de um acordo entre
governo e oposição.
“Se houve acordo, não fui informado. E se o presidente não foi informado, então não houve
acordo”, declarou Lula, sinalizando que o Palácio do Planalto não reconhece qualquer
entendimento formal sobre o tema.
O que é o PL da Dosimetria?
O Projeto de Lei da Dosimetria altera critérios utilizados pelo Judiciário na fixação de penas,
especialmente em processos criminais. A proposta tem sido alvo de críticas por parte do
governo e de setores do Judiciário, que avaliam que o texto pode abrir brechas para
redução de penas em casos já julgados ou em andamento.
Integrantes do Executivo avaliam que o projeto interfere na autonomia do Judiciário e pode
gerar insegurança jurídica, além de beneficiar réus condenados em crimes graves.
Governo nega acordo com o Congresso
A declaração de Lula ocorre após parlamentares da oposição afirmarem que haveria um
acordo para a sanção do projeto com vetos pontuais. O presidente, no entanto, foi enfático
ao negar qualquer tratativa nesse sentido.
Segundo auxiliares do Planalto, a orientação é clara: o texto será vetado integralmente, sem
margem para negociação, reforçando a posição do governo contra mudanças que afetem
diretamente a política criminal e decisões judiciais.
Clima de tensão entre Executivo e Legislativo
O episódio evidencia mais um ponto de tensão entre o Executivo e o Congresso Nacional,
especialmente em pautas sensíveis relacionadas à Justiça e à segurança pública. Apesar
de o governo manter diálogo com líderes partidários, o Planalto tem adotado postura firme
em projetos considerados estratégicos.
Até o momento, líderes do Congresso não se manifestaram oficialmente sobre a declaração
do presidente.
Contexto político
O PL da Dosimetria tem mobilizado debates intensos entre parlamentares, juristas e
integrantes do governo. Caso o veto seja confirmado, o Congresso ainda poderá analisar a possibilidade de derrubada do veto, o que exigiria maioria absoluta em sessão conjunta da Câmara do Senado.


