Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Pesquisa indica que a imagem pessoal do presidente é pior que a do governo; desequilíbrio fiscal e polarização pressionam a popularidade no início de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia o ano de sua tentativa de reeleição enfrentando um cenário desafiador na opinião pública. Segundo a pesquisa mais recente do PoderData, a desaprovação pessoal do mandatário atingiu 57%, enquanto a aprovação de sua gestão como um todo é de 41%.
O levantamento revela um fenômeno específico deste ciclo: a imagem do presidente, que historicamente costumava ser o motor de popularidade da gestão, agora aparece com índices de rejeição superiores aos do próprio governo.
Desaprovação e Aprovação: Os Números
A pesquisa estratifica a percepção dos brasileiros sobre o desempenho do Palácio do Planalto e a figura do chefe do Executivo. Os dados consolidados mostram:
- Desaprovação do Governo: 53%
- Aprovação do Governo: 41%
- Desaprovação Pessoal (Lula): 57%
- Aprovação Pessoal (Lula): 36%
[Infográfico comparativo: Popularidade do Governo (53% desaprova) vs. Popularidade de Lula (57% desaprova)]
A diferença de 4 pontos percentuais entre a desaprovação do governo e a do presidente indica que uma parcela do eleitorado, embora critique a condução do país, mantém uma visão ainda mais dura sobre a figura política de Lula, possivelmente refletindo o desgaste da polarização e o impacto de notícias econômicas recentes.
Fatores que pressionam a popularidade
Analistas políticos apontam que a entrada em 2026 com índices de reprovação acima de 50% é um sinal de alerta para a campanha petista. Três fatores principais explicam a resistência do eleitorado:
- Cenário Econômico e Fiscal: As projeções de déficit recorde e o aumento das despesas públicas geram incerteza em setores produtivos e na classe média.
- Polarização Consolidada: O “antipetismo” permanece resiliente, com a oposição mantendo uma base fiel e mobilizada, como demonstram as intenções de voto para nomes como Flávio e Michelle Bolsonaro.
- Segurança Pública: O aumento da sensação de insegurança e recordes em indicadores como o feminicídio impactam diretamente a avaliação da gestão federal.
Divisões por Região e Perfil
A pesquisa PoderData também evidencia o “Brasil dividido”. Enquanto o Nordeste continua sendo o principal reduto de apoio à gestão atual, as regiões Sul e Centro-Oeste registram os maiores índices de rejeição. Entre os jovens e eleitores de baixa renda, a aprovação oscila na margem de erro, perdendo a folga observada em anos anteriores.
O que observar a partir de agora
Com o início oficial do calendário eleitoral, o governo deve adotar estratégias para reverter o quadro de desaprovação:
- Agenda Positiva: Foco na entrega de obras de infraestrutura e programas sociais para tentar desvincular a imagem de Lula apenas das questões fiscais.
- Controle da Narrativa: Esforço para melhorar a comunicação digital e combater a alta rejeição pessoal nos grandes centros urbanos.
- Poder de Compra: Tentativas de controle de preços de alimentos e energia, itens que afetam diretamente a percepção do eleitorado de baixa renda.


