Foto: Reprodução | YouTube Fictor
A Polícia Federal (PF) instaurou, nesta quarta-feira (4 de fevereiro), um inquérito para investigar o Grupo Fictor, a holding que tentou comprar o Banco Master em novembro de 2025, por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional. A investigação acontece no âmbito da Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros da PF em São Paulo enquanto o caso da crise que envolveu o Master segue sob apuração.
Quais crimes estão sendo investigados pela PF
Segundo as reportagens mais recentes, a PF aponta indícios para apurar pelo menos quatro tipos de crimes atribuídos ao Grupo Fictor:
- Gestão fraudulenta de recursos e operações financeiras;
- Apropriação indébita financeira;
- Emissão de títulos sem lastro, equiparados a valores mobiliários;
- Operação de instituição financeira sem autorização.
A investigação foi aberta após a análise de informações preliminares que teriam apontado indícios concretos de irregularidades em operações ligadas à tentativa de aquisição do Master e a movimentações do grupo, que agora é alvo formal da PF.
Relação com a crise do Banco Master
O inquérito se conecta diretamente à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central do Brasil em 18 de novembro de 2025, após suspeitas de fraude financeira e falta de garantias nos produtos vendidos pelo banco, evento que desencadeou a maior ativação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) da história, estimada em cerca de R$ 41 bilhões para ressarcir investidores e clientes.
Na época, a PF já havia deflagrado a Operação Compliance Zero, que resultou em bloqueios bilionários de bens e na prisão do então controlador do Master, Daniel Vorcaro, um episódio que marcou o início da investigação sobre supostas práticas ilícitas no banco.
De acordo com relatos, Vorcaro afirmava, no período anterior à liquidação, que estava negociando a venda do banco ao Grupo Fictor e investidores estrangeiros, o que nunca se concretizou devido à atuação do Banco Central.
Recuperação judicial do Grupo Fictor e o gatilho da investigação
O pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, apresentado em 1º de fevereiro de 2026 no Tribunal de Justiça de São Paulo, foi um dos elementos que aceleraram a instauração do inquérito. A companhia alegou que a crise de liquidez que a levou à recuperação foi consequência das notícias e repercussões negativas geradas após a tentativa de compra do Master e a subsequente liquidação da instituição pelo BC.
No pedido de recuperação, o grupo afirma que seus compromissos totalizam cerca de R$ 4 bilhões e que busca reorganizar seus compromissos com credores enquanto preserva operações consideradas viáveis.
O que se sabe sobre o andamento da investigação
Até o momento, a PF mantém os detalhes do inquérito sob sigilo, mas os desdobramentos devem envolver:
- análise de documentos contábeis e societários;
- possível quebra de sigilos bancários e fiscais;
- oitivas de gestores e sócios da Fictor;
- cruzamento de informações com dados já colhidos pela Operação Compliance Zero.
A medida reforça a tendência de aprofundamento das investigações sobre fraudes no sistema financeiro nacional e amplia o foco do caso Master para além da própria instituição liquidada, ligando agora outras empresas envolvidas nas negociações frustradas aos possíveis crimes contra o mercado financeiro.
Especialistas e implicações para o mercado
Analistas ouvidos por veículos que cobrem o caso afirmam que a investigação pode se estender por meses, dada a complexidade dos vínculos societários e a necessidade de se mapear fluxos financeiros atípicos e conexões entre contratos, títulos e entidades ligadas ao Master e ao grupo Fictor.
A continuidade da apuração é vista como essencial para restaurar a confiança no mercado financeiro em um momento em que instituições de médio porte e operações fora dos grandes bancos estão sob escrutínio mais rigoroso por parte do regulador e das autoridades.


