Foto: Sputinik
A Venezuela iniciou a semana sob um novo comando político. Delcy Rodríguez, até então vice-presidente executiva, assumiu como presidente interina do país com o apoio das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB), em uma movimentação que busca estabilizar o cenário interno em meio à crise política e econômica.
A mudança, no entanto, encontrou resistência imediata no cenário internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a troca de nomes não representa, por si só, uma transição democrática e cobrou um cronograma claro para eleições livres.
Perfil e trajetória no núcleo do poder
Advogada de 56 anos, Delcy Rodríguez não é vista como uma figura de transição convencional. Vice-presidente desde 2018, ela já exercia forte influência sobre o funcionamento do governo e sobre a condução da economia venezuelana.
Segundo analistas políticos, Delcy foi uma das principais responsáveis pela chamada “dolarização silenciosa”, estratégia que permitiu maior circulação da moeda norte-americana no país e gerou um respiro econômico limitado nos últimos anos. Filha de um histórico líder da esquerda venezuelana, ela integra, ao lado do irmão Jorge Rodríguez, o núcleo duro de confiança do ex-presidente Nicolás Maduro.
Conhecida por sua retórica anti-imperialista e por uma postura considerada firme nas negociações internacionais, Delcy também acumula um histórico de sanções externas. De acordo com comunicados oficiais, ela é alvo de restrições da União Europeia e dos Estados Unidos, que incluem proibição de entrada e congelamento de ativos, sob acusações de violações de direitos humanos e corrupção.
O peso das Forças Armadas
Na Venezuela, o apoio militar é determinante para a sustentação de qualquer governo. A lealdade pública do general Vladimir Padrino López e do alto comando da FANB é o principal fator que mantém Delcy Rodríguez no cargo neste momento.
Segundo especialistas em política latino-americana, a escolha de Delcy pode indicar uma tentativa do regime de apresentar uma liderança considerada mais pragmática para dialogar com a comunidade internacional, sem alterar de forma estrutural o sistema de poder vigente.
Pressão externa e próximos passos
A reação da Casa Branca foi direta. Em comunicado oficial, Donald Trump declarou que haverá “consequências severas e imediatas” caso o novo governo não avance em direção a uma transição democrática concreta. Entre as possibilidades citadas por analistas estão o endurecimento de sanções econômicas e novas medidas de isolamento diplomático.
Para observadores internacionais, o cenário segue incerto. O apoio militar garante estabilidade no curto prazo, mas a permanência de Delcy Rodríguez no poder dependerá da capacidade de negociar internamente e de responder à pressão externa por mudanças políticas mais amplas.


