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Relatório da Human Rights Watch aponta que 72% da população vive sob regimes autoritários e pede mudança de estratégia no Brasil

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Foto: Reprodução

Um novo relatório da ONG internacional Human Rights Watch (HRW) revelou que cerca de 72% da população mundial vive sob regimes autoritários ou não democráticos, em um cenário descrito pela organização como uma “recessão democrática” que ameaça direitos e liberdades em escala global. O documento, divulgado nesta quarta-feira (4), também traz recomendações específicas para o Brasil, destacando a necessidade de mudar a estratégia para enfrentar a infiltração do crime organizado no Estado e fortalecer instituições democráticas.

72% sob autoritarismo: o retrato global dos direitos humanos

Segundo a HRW, quase três quartos da população mundial vive atualmente sob regras de governos considerados autoritários, níveis que não eram registrados desde a década de 1980. A organização alerta que essa tendência representa um dos principais desafios de direitos humanos da atualidade, com erosão de mecanismos de controle, cerceamento de liberdades civis e enfraquecimento de instituições democráticas em várias regiões.

O relatório faz menção às ações de governos poderosos que, segundo a ONG, contribuíram para o avanço desse cenário, incluindo críticas a políticas internas e externas que teriam prejudicado normas democráticas.

Brasil no foco: crime organizado e infiltração no Estado

No capítulo dedicado ao Brasil, a Human Rights Watch destaca que o país deve reconsiderar sua abordagem de segurança pública, especialmente no que diz respeito ao crime organizado e à infiltração de grupos criminosos dentro do Estado. A ONG afirma que essa face do crime é “muito perigosa” porque não se limita apenas à violência nas ruas, mas pode corroer instituições públicas e a confiança da população nas estruturas democráticas brasileiras.

César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, citou, em entrevista reproduzida pelo site G1, relatos de promotores investigativos que apontam possível envolvimento de agentes públicos, incluindo policiais e políticos, em atividades que favorecem ou protegem facções criminosas.

Recomendações da ONG para Brasília

A HRW recomenda que o governo e as autoridades brasileiras adotem uma estratégia mais ampla para combater a ação de organizações criminosas, incluindo medidas de fortalecimento institucional, maior transparência e mecanismos que previnam a infiltração de criminosos em estruturas públicas. Para a ONG, isso passa por uma atuação integrada entre segurança pública, judiciário e mecanismos de controle interno.

Na visão da organização, as eleições de 2026 e o debate sobre segurança pública devem refletir essas prioridades, com propostas que garantam não apenas a repressão policial, mas a proteção das instituições democráticas e o respeito aos direitos fundamentais.

O que é a Human Rights Watch

A Human Rights Watch é uma das principais ONG internacionais dedicadas à defesa e monitoramento de direitos humanos em todo o mundo. Com sede em Nova York e representação em dezenas de países, a HRW investiga, documenta e denuncia abusos de direitos civis, políticos e sociais, pressionando governos e instituições a responderem por violações e a adaptarem políticas em conformidade com normas internacionais.

A organização produz relatórios anuais que analisam a situação dos direitos humanos em centenas de países, servindo como referência para diplomacia, ONGs, organismos internacionais e a imprensa global.

O cenário dos direitos humanos no Brasil

Relatórios anteriores já haviam destacado desafios no país em áreas como violência policial, condições prisionais e desigualdades raciais no sistema de justiça, e a HRW tem solicitado uma atuação mais vigorosa do Estado para enfrentar esses problemas em consonância com padrões internacionais de direitos humanos.

Esses desafios incluem, por exemplo, a disparidade nas mortes em ações policiais que afetam desproporcionalmente negros e residentes de áreas periféricas, sugerindo que a questão de segurança pública precisa ser tratada com foco em direitos e proteção social, e não apenas repressão criminal.

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