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Republicanos e democratas se unem e pressionam por saída de Kristi Noem após mortes pela ICE nos EUA

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Foto: Reprodução/Mídias Sociais

A secretária do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), Kristi Noem, tem enfrentado uma onda de críticas e pedidos por sua demissão ou mesmo impeachment que, pela primeira vez, reúne pressão tanto de democratas quanto de alguns republicanos no Congresso, após uma série de mortes envolvendo agentes do Immigration and Customs Enforcement (ICE) em operações federais.

Mortes em Minneapolis e reação política

O estopim da crise foi a morte da americana Renée Nicole Good, 37 anos, que foi baleada por um agente do ICE em Minneapolis, Minnesota, no dia 7 de janeiro, durante uma operação de fiscalização de imigração, conforme registros oficiais e imagens que circulam no caso.

Esse episódio, descrito inicialmente por autoridades federais como legítima defesa, foi contestado por políticos locais, com o prefeito de Minneapolis afirmando que as imagens não davam suporte à versão oficial.

Pouco depois, um segundo americano, Alex Pretti, também foi morto por agentes federais em circunstâncias ainda disputadas, gerando ainda mais indignação e questionamentos sobre o uso de força letal pela agência.

Protestos e mobilização pública

As mortes desencadearam protestos em várias cidades dos Estados Unidos, com manifestantes denunciando a atuação do ICE e exigindo mudanças na política de imigração e no uso de força pelos agentes. Os protestos em Minneapolis reuniram milhares de pessoas e ecoaram em outras capitais americanas.

Organizações da sociedade civil e movimentos progressistas convocaram eventos sob lemas como “ICE Out For Good”, mobilizando comunidades em dezenas de localidades contra as operações federais e a violência policial.

Pressão no Congresso: impeachment e pedidos de renúncia

A reação política se espalhou rapidamente: mais de 160 democratas na Câmara dos Representantes coassinarem artigos de impeachment contra Noem, alegando obstrução do Congresso e abuso de autoridade, entre outras acusações.

A iniciativa foi liderada pela representante Robin Kelly, que apresentou formalmente petições de impeachment após as mortes em Minneapolis, com apoio de colegas que acusam Noem de falhas graves na supervisão do DHS e do ICE.

O que chama atenção é que, tradicionalmente, republicanos raramente se juntam a democratas em questões como impeachment de um membro de alto escalão do Executivo. Contudo, líderes republicanos como os senadores Thom Tillis e Lisa Murkowski também pediram uma investigação transparente e criticaram a condução das operações, considerando a necessidade de de-escalada e responsabilidade.

Por que a pressão é bipartidária

Analistas políticos destacam que o caso ultrapassou as linhas partidárias devido à força das evidências visuais e à gravidade das mortes de civis americanos, o que gerou preocupação sobre a conduta do DHS e do ICE mesmo entre setores do próprio partido do presidente.

A combinação de protestos populares, críticas de governadores e legisladores locais, e demandas por investigação independente ajudou a criar um ambiente em que figuras políticas de ambos os lados do espectro agora pressionam por mudanças imediatas na liderança.

Apesar dos pedidos, o presidente Donald Trump declarou apoio continuado ao DHS e a Noem, e afirmou que ela permanece no cargo enquanto se realiza a apuração dos fatos.

Desdobramentos no terreno e próximos passos

Enquanto a pressão política aumenta, o próprio DHS afirmou que continuará a justificar suas operações como parte das políticas migratórias estabelecidas pela administração, mas reforçou que revisões serão feitas para responder às críticas e às exigências por transparência.

A previsão é de que Noem seja convocada para testemunhar diante do Comitê Judiciário do Senado em março, onde terá que responder diretamente sobre o uso de força e a gestão da agência, em um raro episódio em que líderes de ambos os partidos buscam explicações detalhadas.

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